Frágil?, Goldberg, Contracapa.

Fotos: Paulo Lacerda / Luis Felipe Ratton



Ballet Jovem Palácio das Artes estreia sua nova coreografia ‘Frágil?’



Frágil? (2012) ,  Goldberg (2011) ,   Contracapa (2009)


Data: 31 de outubro e 1° de novembro



Sempre é uma alegria entrar no grande teatro do palácio das artes. Na verdade é sempre uma alegria ver um teatro cheio. Meu coração fica exultante de esperança quando vejo arte sendo valorizada.

Eu já havia assistido Goldberg e quando soube que estava neste programa não perdi tempo em me organizar para assistir novamente. As coreografias Frágil e Contracapa seriam vistas agora pela primeira vez. Fiquei ansioso.

Antes de evoluir um pouco sobre um tema que ficou latente, de forma antecipada darei minha conclusão:

Três coreografias maravilhosas, dignas de quem se dispõem a apreciar. Eu sei que pagamos o ingresso e que aplaudimos, mas isso não torna a relação totalmente justa, porque o que o público ganha ao assisti-los é um presente, uma benesse de olhos cheios e coração leve. Assim descrevo a minha sensação ao final do espetáculo. Parabéns pelo trabalho maravilhoso.

Já tocando no assunto das relações, a coreografia Frágil pareceu-me tão rápida que eu fiquei com aquela sensação de criança que ganha um sorvete e quando vai comer a bola cai no chão. Lá estava eu entrando em relação com a dança, movimentos, sentimentos e súbito me vi aplaudindo.

O universo das relações pode ser realmente frágil. O campo relacional que se deu durante a dança, mostrou duas formas visíveis de manifestação, uma do contato físico propriamente dito e outra do movimento invisível das sensações produzidas neste processo, de atração e repulsão, na sensação do estar junto e ao contrário, de estar livre, separado. Eu particularmente me senti frágil ao assistir, mas não a ponto de chorar. Depois de um tempo, algumas partes do coração têm amarguras demais para chorar por coisas belas assim.

Frágil pode ser entendido como efêmero. O propósito de uma relação seria construir ares duradouros, sólidos, firmes e seguros. Achei naquele instante que amar jazia no oposto desta máxima. O amor alimentar-se-ia da fragilidade, da falta, do medo e insegurança.

O amor seria um devorador de vazios.

A segurança torna o amor pleno, completo, seguro e isso seria a derrocada da alma. A concretude aniquila a saudade e o desejo. Então o amor almeja o sonho, o amor por mais estranho que pareça almeja a solidão. O amor em si não se parece com o amor que dizem por ai existir. Talvez seja assim, a força do amor esteja em sua fragilidade, naquela certeza de impermanência, a certeza que tudo acaba e por isso é intenso, ansioso.

O amor tem de ser ansioso, angustiado pela efemeridade.

Sempre resta tempo algum e tudo pode deixar de existir em instantes, antes mesmo de ter sido experimentado.  O amor vive neste espaço circunscrito da existência de um suspiro.

Respira ao chegar,
Expira no fim,
Quem segura o ar sente o peito apertado explodir,
Sem ar morre sufocado de solidão;

E é bom saber que acaba. Toda relação é encontro e parafraseando Milton, todo encontro é também despedida.

Isso foi um pouco do que ficou em mim dessa relação. 


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