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Mostrando postagens de Abril, 2013

Álcool

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ÁLCOOL!


Posto meu rosto, enevoado
perante ti, anjo malvado
que me olha com meu olho
já pela sua ação malogrado.

Em suas formas garrafais
tens-me aqui, pronto a obedecer
suas ordens naturais de tirano
que faz minha vida arrefecer.

Sorvo teu corpo, liquido
sorvo teu aroma, embriagante
consumo tua vida
consomes a minha num instante.

Estás em mim, sou seu dono
mas apenas brevemente
rápido, atinge minha mente
e sou seu escravo, novamente.

No espelho vejo a imagem
de alguém que não e mais humano
Lúcifer
talvez esteja mesmo insano.

Enquanto as palavras escorrem
pela minha boca adormecida
você ri e se deleita
vendo acabar a minha vida

Tire a minha vida
tire tudo o que eu tenho, ou teria
mas a morte vem quando
você tira a minha alegria.

Ja não estás presente em mim
ja não sou mais de ti, a prole
mas tudo recomeça
quando me sirvo de mais um gole.


Fabio Teixeira

Sindrome Cervical

Conversávamos como duas pessoas civilizadas, falando amenidades, dando risadas, quando ela fez aquilo novamente. Sei que era algo inconsciente, mas sempre mexia em meu brio e às vezes despertava um arrepio subindo de forma constante. Na antiguidade uma boa amante, mostrava a mesma coisa num quadro, uma pequena parte e o resto cenário para um bom admirador. Embora o pintor, bem sabido do contraste, carregava de luz aquela parte que eu não parava de fitar. Eu não sou um fetichista, no máximo, um esteta, mas como diria o poeta, dessa fonte irei provar. Imagine um homem sedento atravessando o deserto, chegando aos poucos bem perto de um revigorante poço. Sinto-me assim quando ela segura os cabelos no alto, suspira em cima do salto, exibindo o belo pescoço. Hesitante, vi aquela pilastra, erguida na carne perfumada e casta, assim eu pensei, será meu segredo. Saiba que eu não tenho medo de escalar a colina que vai se erguendo e em cima, poder repousar minha boca. Mas para ver…

A Fluência dos Patins

Fluir é uma arte.

Pela sorte de coisas

só achei contraparte.

Mas de rodas nos pés,

coração em enfarte,

deslizei na fluência,

descaí sem prudência

e no verbo fluir

fiz o meu baluarte.



Fabio Teixeira