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Mostrando postagens de Janeiro, 2014

Antes do Clarim

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Veneno angustiante consome meu estômago lentamente subindo assim de instante solvendo a boca ardentemente.
Cordas vocais se embaralham numa fala maculada zumbe nos ouvidos de quem ouve queima no coração de quem fala.
Anjo vindo do inferno use meu cérebro agora ponha lodo em minha boca destrua a verdade sem demora.
Entregue a ti está meu corpo sou seu escravo soturno em chamas malgrade minha fala em zinabre derrame meu mundo.
A cobra dobra na língua que lambe o vento, quente e fugaz delinquente palavras, saindo de ti destroem a esperança de paz.
O hálito do demônio muda toda a minha tez que um dia foi alegre hoje esta toda ao revez.
Saia de mim, eu te imploro mentira, saia de mim antes do final dos tempos antes que Deus toque o clarim.
        Fabio Teixeira


Aquarela Brasileira - Grupo Guararás

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Se a sanfona chora eu canto, canto de coração, quando a folia passa, puxando a multidão. Mão de pegar enxada, dura como uma pedra quando pega na sanfona é rosa-amarela. Voz que com gado berra, já criou calo na goela quando vem cantar folia, vai pintando uma aquarela; quando vem cantar folia vai pintando um aquarela...
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Lembrei desta música, quando assisti pela terceira vez um espetáculo do Grupo de Pesquisas e Projeções Folclóricas Guararás. 
O palco da apresentação foi um palco conhecido de minha infância, o cine teatro Brasil, onde me orgulho de dizer que assisti filmes como - Os trapalhões nas minas do Rei Salomão e  E.T -  compondo um palco de memórias e familiaridades aos meus olhos atentos.
Nesta perspectiva familiar, o cenário montado pelo grupo era a caracterização de uma simples vila que trouxe este aconchego de algo que aconteceria logo ali no quintal da minha casa ou na praça em frente a casa de meus parentes, vizinhos e amigos. Se ali morasse, estaria com certeza na ja…

O rabo do rato!

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O rabo do rato. (Fabio Teixeira)
Shinzo mora num pequeno vilarejo, oculto dos grandes agrupamentos sociais, sons e ruídos da cidade. Para buscar suprimentos se aventura na balbúrdia dos centros com toda aquela parafernália barulhenta que o irrita profundamente. Só consegue apaziguar parcialmente seu espírito quando volta ao seu lar. 
A casa de Shinzo é simples, locada à margem da pequena vila, quase na encosta de um barranco. A umidade que ali penetra pelas paredes nos dias de chuva, deixa sempre um lastro de mofo pela parede do quarto, causando em seu filho um pouco de alergia. Os cômodos são pequenos, mas confortáveis, com  tatames adquiridos de segunda mão que se  assentavam sobre uma plataforma de vime, que sempre range quando pisada. As portas de correr eram feitas de bambu e folheadas com papel de seda resistente, com ideogramas de paz e harmonia pintados à mão.
É verdade que ali poderia haver a felicidade, salvas as condições que os homens se encontram atualmente na sociedade. Em g…