Escrever Você!



Foto: Unknown


Escrever Você!

Hoje tentei escrever você. Não sobre você, não de você e por você.
Escrever você.
Eu tentei fazer cada palavra algo seu, na minha frente. Usando as palavras que tenho, que são estas. Não são muitas, mas tentam dizer-te em verso.
Pensei que o texto poderia criar vida como numa brincadeira infantil, criando-a em palavras no branco da tela. Mas o branco continua branco, o nada continua nada. Não consegui grafar uma palavra.
...
Nenhuma.
Essa imagem que tenho não ocupa o verbo necessário para uma boa dramaturgia da descrição. Descrever alguém é como tentar aprisionar todo movimento numa imagem parada.
.
.
Mesmo assim tentei fazer dos verbos suas ações, dos substantivos suas idéias, dos adjetivos como te vejo. Brinquei com cada letra da palavra beijo. Deitei-me com o desejo, grifei a pele e os pêlos, papilas, perfume. Perfume? Não... Prefiro cheiro.
Risco algumas e reescrevo outras. Arrisco rimas. E por mais que escreva e escreva, a imagem não alcança o texto.  Sinto que as palavras ainda não te alcançam.
Leio de frente para trás, porque à frente da ultima letra só existe o ponto final e este é ponto de partida para o vazio. Não lemos as partes brancas e acho que é por isso que não te acho na escrita.
Você não pode ser dita.
Muito menos literalmente porque está no sentido oculto nos interstícios da língua.
Essa é a minha ultima esperança. Que fazendo da palavra poesia, da poesia dança, da dança música e da música som, do som algo possível de sentir em ondas, sentir no ouvido enquanto leio o som de sua voz repetindo isso que escrevo insistente, temente, crente que o faria se tivesse mesmo fôlego pra continuar esse parágrafo sem pontuação pra respirar.
Sem ar. Sem ar é que fico quando te vejo. Assim sem as palavras certas te escrevo, te escrevo nos brancos destes versos.
Nestes espaços pequenos, que nos cabem muito bem, leio eu..... você...... nós.....

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