Encontro das Águas





Encontro das águas

Não é a primeira vez que assisto ao espetáculo de pesquisa em dança de Regina Perocini. Pode haver estranheza nas palavras “pesquisa” e “dança”, mas é disso também que se trata. A dança enquanto área de conhecimento, cria, descobre, redescobre, reorganiza e fornece novos saberes ao homem, como qualquer outra área que tradicionalmente chamamos de acadêmica. Sendo assim, este estudo, que se tornou um espetáculo, bebeu em fontes da cultura religiosa e musical brasileira e nos trouxe em forma de dança, música e performance sonora uma experiência louvável.

Quando vejo algo assim lembro que não há limites para a dança. A palavra dança associa-se quase que naturalmente ao movimento, ritmo e expressão corporal. Mas não é só isso. Vi neste espetáculos formação de imagens quase arquetípicas, efeitos visuais simples e belos, efeitos acústicos e sonoros que me fizeram arrepiar, uma história pra se contar, poesia em verso e prosa, música com vozes nobres e, claro, teve dança também, inclusive do próprio público.  

Quando tantos elementos obtém uma unidade, a palavra espetáculo faz mais sentido. Não no quesito grandeza, ao contrário, no caminho do simples que toca o coração de uma forma verdadeira. Uma unidade de som-imagem-movimento fez tudo ser muito bacana.

Encontro das águas não é isso? Onde as coisas se encontram, vão e voltam. Encontro de rio com rio, rio com mar, mar com amar.  Encontro que é chegada e encontro que é despedida. Encontro que é um pedido, é oferenda e também lágrimas. Encontro de música, gente, corações, sons e corpos na dança.

Não foi só mais um encontro. Espero não ser o último.

Luz no coração. 

Parabéns  a todos pelo espetáculo.



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