O canto de Gregório




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Confesso que estou com insônia. Como num paradoxo, quero dormir, estou cansado, preciso dormir mas simplesmente não é possível. Não sei se há motivos para dormir, mas também não há motivos para ficar acordado, assim como há motivos para dormir e muitos motivos para ficar acordado. Enquanto não decido em meu juri interno, o juri precisa estar acordado para decidir e por isso estou aqui, escrevendo.

De forma inesperada retomei a vontade de escrever esta madrugada, e porque não dando umas palavrinhas sobre a peça "O Canto de Gregório" que assisti ontem na 25a mostra de teatro PUC Minas com a turma do segundo módulo.

Uma peça que eu não conhecia e que traz essa mistura do cômico e trágico, com situações bem surreais do julgamento de Gregório acusado de assassinato. Um texto muito bacana e diga-se de passagem, bem trabalhado pelos alunos. No começo achei que estavam um pouco tensos, mas foram se soltando e ficou muito bom de assistir.

Cheio de situações paradoxais, onde a verdade é questionada com contrapontos filosóficos dignos da participação de Jesus, Buda e Sócrates. Tudo para chegar a uma conclusão corriqueira, se Gregório é culpado ou inocente. Será que não existe uma terceira opção e mesmo que houvesse uma terceira, porque não poderiam haver outras? É divertido sair pensando que tudo pode ter contrapontos, mesmo que antes houvessem conclusões muito sólidas a respeito.

Esses novos atores em formação já são paradoxais por natureza. Estão em formação, logo, não pode se esperar um trabalho perfeito, mas ao mesmo tempo é normal ao assistir algum trabalho esperar pela exatidão. Acho que esse é o resultado do julgamento final:

- É estar condenado a ficar encerrado inevitavelmente num corpo e vida humanas, inconclusiva, inexata, imprecisa. Se colocar em ação torna toda inexatidão de um resultado um acerto ao final das contas. 

Assim, o canto de Gregório me tirou do centro, me jogou no canto onde varri velhas idéias e no canto entoei alguns dizeres que aqui arrisco com delicadeza. Afinal para assassinar alguém é preciso delicadeza e se encaro a delicadeza como um dever passa a ser um dever assassinar alguém. (Brincadeira, foi apenas uma inspiração no texto original).

Sempre desejo sucesso ao que começam, pois nunca sabemos o fim, no entanto, é preciso desejar os inícios.

Fabio Teixeira





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Ficha Ténica: 

Texto: Paulo Santoro

Direção, adaptação trilha sonora e iluminação: Luiz Arthur
Teoria e pesquisa: Gloria Reis
Preparação Vocal: Raisa Campos
Preparação Corporal: Dulce Beltrão
Maquiagem e figurino: Mauro Gelmini
Montagem e operação de Luz: Izabella Azevedo


Elenco: Carlos Alberto da Silva Carlindo, Felipe Teixeira Fagundes, Gabriela Coelho Torres, Giselle Stanislau Marques e Souza, Isabela Sandoli RIbeiro Lisboa, Leticia de Cassia Magalhães Avelar, Marcos Vinicius Moreira, Mariana Luiza Almeida

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