Postagens

Os Olhos da Sombra.

Imagem
Arte: Fernanda Hallais Os Olhos da Sombra (Fabio Teixeira) Feche os olhos com bastante força e perceberá que seus lábios se erguerão num sorriso involuntário. Não estou feliz e me sentiria uma idiota deixando minha boca deformar-se num gesto que há muito tempo esqueci. Estes músculos doem um pouco quando se contraem incomodando as maçãs do rosto e, além disso, causam rugas. Não preciso sorrir pra que isto aconteça, já que estão surgindo naturalmente junto com o meu humor que, como dizem, é ácido. Acho que isso é uma ótima ferramenta para afastar os ignóbeis sorridentes. Tenho outros motivos para permanecer de olhos abertos. Tudo começou quando a sombra apareceu. Naquele dia desci do ônibus sobre o sol de meio dia, saindo daquela escola chata e deixando para trás os moleques barulhentos. Não fazia a menor questão de olhar para o caminho que meus pés já sabiam de cor, então, olhei para baixo. A princípio, observando o asfalto, achei estranho minha a sombr...

Tudo de Nós - Espetáculo

Imagem
Estréia e curta-temporada do espetáculo “Tudo de nós” 3 a 12 de maio de 2013, sexta e sábado (21h) e domingo (19h) no Espaço Aberto Pierrot Lunar (Rua Ipiranga, 137, Floresta) | Informações: (31) 2514-0440 | (31) 9970-6521 Biografia Ficha técnica e artística Textos e atuação Laura Canedo, Luciana Leitte, Malu Falabella e Matheus Soriedem Dramaturgia e encenação Juarez Guimarães Dias e Léo Quintão Preparação vocal Priscilla Cler Espaço cênico Ed Andrade Design de luz Bruno Cerezoli Trilha Sonora e Produção de Moda Cia Pierrot Lunar e Pierrot Teen Supervisão e Orientação de pesquisa sócio-cultural Mara Greide Orientação de pesquisa de linguagem Juarez Guimarães Dias Workshop “O trabalho do ator” Anita Mosca Workshop “Juventude e Política” José Ricardo Faleiro Carvalhaes Edição vídeo crowdfunding João Alves Produção Executiva Neise Neves Direção de Produção Léo Quintão Realização Cia Pierrot Lunar ------------ // ----------------------- Minhas Impressões: ...

Álcool

Imagem
ÁLCOOL! Posto meu rosto, enevoado perante ti, anjo malvado que me olha com meu olho já pela sua ação malogrado. Em suas formas garrafais tens-me aqui, pronto a obedecer suas ordens naturais de tirano que faz minha vida arrefecer. Sorvo teu corpo, liquido sorvo teu aroma, embriagante consumo tua vida consomes a minha num instante. Estás em mim, sou seu dono mas apenas brevemente rápido, atinge minha mente e sou seu escravo, novamente. No espelho vejo a imagem de alguém que não e mais humano Lúcifer talvez esteja mesmo insano. Enquanto as palavras escorrem pela minha boca adormecida você ri e se deleita vendo acabar a minha vida Tire a minha vida tire tudo o que eu tenho, ou teria mas a morte vem quando você tira a minha alegria. Ja não estás presente em mim ja não sou mais de ti, a prole mas tudo recomeça quando me sirvo de mais um gole. Fabio Teixeira

Sindrome Cervical

Conversávamos como duas pessoas civilizadas, falando amenidades, dando risadas, quando ela fez aquilo novamente. Sei que era algo inconsciente, mas sempre mexia em meu brio e às vezes despertava um arrepio subindo de forma constante. Na antiguidade uma boa amante, mostrava a mesma coisa num quadro, uma pequena parte e o resto cenário para um bom admirador. Embora o pintor, bem sabido do contraste, carregava de luz aquela parte que eu não parava de fitar. Eu não sou um fetichista, no máximo, um esteta, mas como diria o poeta, dessa fonte irei provar. Imagine um homem sedento atravessando o deserto, chegando aos poucos bem perto de um revigorante poço. Sinto-me assim quando ela segura os cabelos no alto, suspira em cima do salto, exibindo o belo pescoço. Hesitante, vi aquela pilastra, erguida na carne perfumada e casta, assim eu pensei, será meu segredo. Saiba que eu não tenho medo de escalar a colina que vai se erguendo e em cima, poder repousar minha boca. Mas para v...

A Fluência dos Patins

Fluir é uma arte. Pela sorte de coisas só achei contraparte. Mas de rodas nos pés, coração em enfarte, deslizei na fluência, descaí sem prudência e no verbo fluir fiz o meu baluarte. Fabio Teixeira

A Carta de Despedida

Imagem
Enfim, Peter sentou-se em frente ao mar. Aquele fim de tarde estava especialmente delicado, com o sol empurrando as nuvens para poder se encaixar no horizonte. Nada era mais propício para escrever uma carta de despedida. Estava determinado. Colocou a mão cerrada sobre os lábios, tomou coragem e sacou o lápis velho da bolsa de couro e seu caderno de anotações. Hesitou um pouco enquanto olhava para suas mão com aqueles objetos de execução, tal como faria um carrasco, se houvesse um com sentimentos. Procurou uma página em branco no caderno surrado e arriscou um título: “Minha querida”; mas logo percebeu que não fazia sentido algum começar uma carta assim. Riscou tudo e colocou logo  abaixo. “Carta de despedida...”. Aquelas reticências involuntariamente pontuadas puxaram um suspiro profundo e dolorido. Pensou em fechar o caderno e voltar pra casa, mas o peso do sol poente impedia seus ombros de erguerem-se. Peter sentia naquela hora dores no corpo e coceiras na cabeça e...

Questões existenciais na companhia de uma noite solitária.

Questões existenciais na companhia de uma noite solitária. Se esquecem de mim, existo? Se esqueço de mim, resisto? Ser não preocupo, permito? Se me preocupo, impeço? Qual o preço da consciência, da razão? Qual o valor do saber, da compreensão? Aquilo que quero, toco, nomino, domino! Mas o indomável me escapa. E se quero o indomável, só consigo o nada. Afinal, o que desejo? Se respondo, jogo com a razão. Se não respondo, será que queria realmente? A solução vem com calma ou com ação? Ação correta e calma são compatíveis? A resposta está no que ja sei ou no que não compreendo? O que estou fazendo com a minha vida? Pergunto muito porque quero saber? As respostas antigas já não servem mais? Em que acredito? Posso repetir com precisão, frases de um grande pensador, mas posso pensar por mim mesmo, as minhas próprias razões? Posso criar novas verdades, ou as verdades são estas, que já existem? Sigo ou mudo o padrão? O que ganho e o que perco com...