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Álcool

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ÁLCOOL! Posto meu rosto, enevoado perante ti, anjo malvado que me olha com meu olho já pela sua ação malogrado. Em suas formas garrafais tens-me aqui, pronto a obedecer suas ordens naturais de tirano que faz minha vida arrefecer. Sorvo teu corpo, liquido sorvo teu aroma, embriagante consumo tua vida consomes a minha num instante. Estás em mim, sou seu dono mas apenas brevemente rápido, atinge minha mente e sou seu escravo, novamente. No espelho vejo a imagem de alguém que não e mais humano Lúcifer talvez esteja mesmo insano. Enquanto as palavras escorrem pela minha boca adormecida você ri e se deleita vendo acabar a minha vida Tire a minha vida tire tudo o que eu tenho, ou teria mas a morte vem quando você tira a minha alegria. Ja não estás presente em mim ja não sou mais de ti, a prole mas tudo recomeça quando me sirvo de mais um gole. Fabio Teixeira

Sindrome Cervical

Conversávamos como duas pessoas civilizadas, falando amenidades, dando risadas, quando ela fez aquilo novamente. Sei que era algo inconsciente, mas sempre mexia em meu brio e às vezes despertava um arrepio subindo de forma constante. Na antiguidade uma boa amante, mostrava a mesma coisa num quadro, uma pequena parte e o resto cenário para um bom admirador. Embora o pintor, bem sabido do contraste, carregava de luz aquela parte que eu não parava de fitar. Eu não sou um fetichista, no máximo, um esteta, mas como diria o poeta, dessa fonte irei provar. Imagine um homem sedento atravessando o deserto, chegando aos poucos bem perto de um revigorante poço. Sinto-me assim quando ela segura os cabelos no alto, suspira em cima do salto, exibindo o belo pescoço. Hesitante, vi aquela pilastra, erguida na carne perfumada e casta, assim eu pensei, será meu segredo. Saiba que eu não tenho medo de escalar a colina que vai se erguendo e em cima, poder repousar minha boca. Mas para v...

A Fluência dos Patins

Fluir é uma arte. Pela sorte de coisas só achei contraparte. Mas de rodas nos pés, coração em enfarte, deslizei na fluência, descaí sem prudência e no verbo fluir fiz o meu baluarte. Fabio Teixeira

A Carta de Despedida

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Enfim, Peter sentou-se em frente ao mar. Aquele fim de tarde estava especialmente delicado, com o sol empurrando as nuvens para poder se encaixar no horizonte. Nada era mais propício para escrever uma carta de despedida. Estava determinado. Colocou a mão cerrada sobre os lábios, tomou coragem e sacou o lápis velho da bolsa de couro e seu caderno de anotações. Hesitou um pouco enquanto olhava para suas mão com aqueles objetos de execução, tal como faria um carrasco, se houvesse um com sentimentos. Procurou uma página em branco no caderno surrado e arriscou um título: “Minha querida”; mas logo percebeu que não fazia sentido algum começar uma carta assim. Riscou tudo e colocou logo  abaixo. “Carta de despedida...”. Aquelas reticências involuntariamente pontuadas puxaram um suspiro profundo e dolorido. Pensou em fechar o caderno e voltar pra casa, mas o peso do sol poente impedia seus ombros de erguerem-se. Peter sentia naquela hora dores no corpo e coceiras na cabeça e...

Questões existenciais na companhia de uma noite solitária.

Questões existenciais na companhia de uma noite solitária. Se esquecem de mim, existo? Se esqueço de mim, resisto? Ser não preocupo, permito? Se me preocupo, impeço? Qual o preço da consciência, da razão? Qual o valor do saber, da compreensão? Aquilo que quero, toco, nomino, domino! Mas o indomável me escapa. E se quero o indomável, só consigo o nada. Afinal, o que desejo? Se respondo, jogo com a razão. Se não respondo, será que queria realmente? A solução vem com calma ou com ação? Ação correta e calma são compatíveis? A resposta está no que ja sei ou no que não compreendo? O que estou fazendo com a minha vida? Pergunto muito porque quero saber? As respostas antigas já não servem mais? Em que acredito? Posso repetir com precisão, frases de um grande pensador, mas posso pensar por mim mesmo, as minhas próprias razões? Posso criar novas verdades, ou as verdades são estas, que já existem? Sigo ou mudo o padrão? O que ganho e o que perco com...

Aceitação e mudança

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Aceitação e mudança (Fabio Teixeira) Em meditação, vislumbrei algo inusitado. Imaginei que os seres humanos acordariam um dia e subitamente estariam ligados novamente à sua alma gêmea, que a milhares de anos foram separadas pelos deuses, retroagindo ao mito do ser andrógeno. No contexto contemporâneo, capitalista, individualista, narcisista, imaginei o drama que isto causaria. Quem és tu que és em mim algo diferente do que sou? Não te suporto. Não suporto sentir-te tão em mim, tão eu sendo eu-outro. E é essa a desgraça imposta sem misericórdia divina. Saber-te tão eu em tantas coisas; Tão parecido comigo; Tão igual, tão coerente, tão sintonizado. Tão querente de igualdades e sonhos; Mas reciprocamente... és outro. Outro. Esse é meu-seu pecado. Não há mais deuses pra nos separar. Os deuses morreram pelo que dizem. Coexistem em mim amor e ódio por ti que sou eu mesmo. Amo-te por ser eu e odeio-te por não te reconhecer. Antes como homem...

Escrever

Escrever é materializar emoções, torná-las ao menos palpáveis para o conforto da razão. Mas nada se compara à energia pulsante que está nas entrelinhas, que existe antes de surgir a letra para nomear o que se sente.