Com muita alegria pude assistir este espetáculo de dança. Um espetáculo divertido, suave e criativo, do tipo de nos deixa com o coração leve ao final. Figurinos muitos bem elaborados, coerentes com a proposta e de muito bom gosto. Um cenário delicado e colorido, aludindo a arte da reciclagem, diria, algo contemporâneo. Apresentou uma certa dramaturgia simplista, mas bem concebida, arriscando elementos cênicos que levavam para além da beleza coreográfica, que, diga-se de passagem, foi excelente. Eu acho ótimo quando isso acontece, quando já sabemos que existe uma coreografia, uma estética da dança, mas esses elementos passam a ser secundários frente ao que é mostrado no palco. Gosto quando existe essa tentativa, esse desejo, esse esforço de fazer arte. Tenho pensado muito nisso ultimamente, nesse esforço da arte em saltar da tela, saltar da obra, saltar do corpo e tornar-se uma mensagem, uma sensação ou um sentimento vivo. Esse inevitável movimento de ser algo mais. É isso que...